Por que as virtudes no dia a dia são tão necessárias?

shutterstock_186049910 Vemos um país em crise e vemos uma sociedade mais perturbada a cada dia com os problemas crescentes. Não é raro ouvir alguém comentar que um conhecido perdeu o emprego recentemente ou que os negócios não vão bem, que as vendas diminuíram, que as despesas aumentaram, que a inflação está alta. Não é nenhuma novidade dizer que os escândalos de corrupção tomaram conta dos noticiários. Toda essa situação, sem dúvidas, provoca uma série de reações em nós. Negativismo, inconformismo, raiva, insegurança, falta de fé, de esperança, de perspectivas para o futuro. Mas, será que em meio a essa turbulência e instabilidade paramos para pensar sobre as causas mais profundas dessa situação em nos encontramos atualmente? O que causou tudo isso? De quem é a culpa? Talvez, seja muito fácil apontar culpados: os políticos, os governantes, o partido político X, os empresários, a conjuntura econômica internacional, e assim por diante. Geralmente, esses são os culpados evidentes. E é claro que a influência desses atores é muito grande. Mas, recentemente um vídeo circulou pela internet, causando muitas reações. Nesse vídeo, visto por mais de 130 mil pessoas no Youtube, Bel Pesce, empreendedora e fundadora da FazINOVA, escola de empreendedorismo e habilidades, lê a mensagem impactante de um americano dizendo que a culpa por tudo o que passamos em nosso país é NOSSA. Isso mesmo, NOSSA: a culpa é minha e sua também! Ou seja, eu e você também somos culpados pela situação desagradável que enfrentamos. Você deve estar pensando: de que forma somos culpados? Talvez, nosso poder de ação e decisão não seja tão grande quanto o dos atores citados acima. Mas, quando deixamos de dar um bom exemplo, assumindo posturas e condutas que reforçam a busca por benefícios egoístas e o total descaso em relação ao coletivo, nós contribuímos para a perpetuação de uma sociedade corrupta, individualista, desequilibrada, excessivamente competitiva. Ok, enteshutterstock_288157961ndi. E agora, o que fazer? Tudo bem, somos todos culpados. Mas o que podemos fazer? Simples: começar a manifestar bons exemplos a partir de nós mesmos. E como fazer isso? Será que as virtudes não estão em falta atualmente? Quando vemos todos os problemas gerados pela corrupção e pelas decisões políticas baseadas em interesses de alguns grupos, constatamos que falta virtude. Levadas pela cobiça, muitas pessoas pensam somente em si e, talvez, num núcleo muito pequeno de familiares e amigos ao seu redor e se esquecem da sociedade à qual pertencem. Quando vemos a impaciência reinar e os sentimentos desequilibrados e explosivos se manifestarem, gerando violência e conflitos, cada vez mais graves, constatamos que falta virtude. Centradas somente em si ou motivadas por vingança, muitas pessoas agem impulsivamente e cometem crimes contra a vida. Quando vemos pais abandonando suas esposas e seus filhos com microcefalia (que supostamente está relacionada ao vírus Zika), constatamos que falta virtude. Levados pela covardia e por um impulso de fugir dos problemas, esses pais geram um grande peso e deixam grandes lacunas nas vidas de suas esposas e filhos. Assim, é necessário que cada um de nós comece a desenvolver e manifestar virtudes para edificar bons exemplos. Quando isso se propaga pela sociedade, os governantes tomam decisões que beneficiam toda a população, as pessoas se comportam de forma equilibrada e pacífica, pais e mães assumem responsabilidade por seus filhos. Com isso, a sociedade toda pode se tornar um ambiente harmonioso e bom para se viver. Será que não é um mundo como este que queremos? No Grande Aprendizado, uma das quatro obras clássicas do confucionismo, há um trecho interessante que pode nos ajudar nessa autorreflexão para a transformação que tanto sonhamos em ver na sociedade:

Aqueles que desejam por ordem em seu Estado devem, primeiro, arrumar suas casas.

Aqueles que desejam harmonizar sua família devem, antes de tudo, cultivar sua pessoa.

Aqueles que desejam cultivar sua pessoa devem, primeiro, retificar seu coração.

Aqueles que desejam retificar seu coração devem, antes, alcançar a sinceridade de seus pensamentos.

Aqueles que desejam alcançar a sinceridade de seus pensamentos devem, primeiro, ampliar ao máximo sua conscientização.

(…) Quando a conscientização é completa, os pensamentos podem se tornar sinceros.

Quando os pensamentos são sinceros, o coração pode ser retificado.

Quando o coração é retificado, a pessoa é cultivada.

Quando a pessoa é cultivada, a família se harmoniza.

Quando a família se harmoniza, o Estado é governado com retidão.

Quando o Estado é governado com retidão, tudo sob o céu entra em equilíbrio.”

(Reinterpretação de um trecho do Grande Aprendizado, versão em inglês “The Great Learning”, tradução de Ken Pang, out.2006, baseado na tradução de James Legge e inspirado pela interpretação de Huai-Chin Nan. Trecho destacado no livro Liderar a partir do Futuro que Emerge, p.155.)  

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